Museu Histórico Abílio Barreto

Expografia "Belo Horizonte Fora dos Planos"

Belo Horizonte, Minas Gerais
2023, 245m²

O Museu Abílio Barreto (MHAB) – museu histórico da cidade de Belo Horizonte – completou 80 anos em 2023. Para comemorar a data, foi inaugurada a exposição de longa duração “Belo Horizonte Fora dos Planos” cujo projeto musegráfico é de autoria da Gema.

Com esse título sugestivo, a história de BH é contada a partir de outro ponto de vista, diferente do que costuma ser revelado. A partir dessa premissa, nosso projeto de expografia também subverte a forma de ocupar a grande galeria do museu, invertendo entrada e saída, mantendo as paredes mais livres e o acervo concentrado em grandes expositores ao longo do percurso. 

FICHA TÉCNICA
Local: Belo Horizonte, Minas Gerais
Projeto: 2023 Obra: 2023
Área: 245m²
Arquitetura: Gema
Arquitetas: Nara Grossi, Joseana Costa
Equipe: Ana Koga, Bárbara Olyntho, Giuliana Mora, Renan Merlin
Curadoria e Pesquisa: Carolina Capanema
Identidade visual: Gabriela Abdalla
Produção gráfica: Joana Alves
Execução: Artes Cênica
Fotografia: Studio Tertúlia
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Os setores não têm barreiras físicas, as cores são a única forma de identificação de cada tema. A paleta de cores para os quatro setores – soterramentos, persistências, cidade como obra coletiva e cidade vivida – varia dos tons terrosos para os amarelos, sugerindo um movimento de revelação do que estava escondido à medida que a mostra se desenvolve. 

A exposição inicia-se com o tema do soterramento da vida do arraial anterior à construção da capital, seguido das demolições precoces na mesma capital recém-inaugurada. O principal expositor deste setor é formado por uma grande caixa de entulho que acomoda o acervo que já pertenceu justamente aos edifícios demolidos. 

Na sequência, são destacadas as formas de vida que resistiram e se reinventaram, não apenas pessoas, mas também elementos naturais. É o setor das persistências, situado na única área da galeria onde o pé direito é rebaixado e as paredes são pintadas em marrom, o que garante uma ambientação mais tensa, evidenciando as condições desfavoráveis da periferia retratada.

Passando da metade da exposição, um grande plano de espelhos reflete a silhueta dos visitantes enquanto os mesmos circulam entre quadros suspensos de retratos diversos de personalidades integrantes da cidade. A intenção é permitir às pessoas a percepção de que também são atores desta obra coletiva.

O último setor desenvolve-se próximo às portas de vidro da galeria que recebem luz natural e permitem a vista para o jardim do Museu e para a cidade “real”.  Projetamos um biombo translúcido que permite a passagem da luz mas limita a área entre o acervo e os vasos de planta introduzidos pela primeira vez na grande galeria. 

A exposição é um convite a refletir sobre a formação da capital mineira para além da cidade planejada, uma obra coletiva, que não para de mudar até os nossos dias atuais. O percurso termina com uma cabine intitulada como “capsula do tempo”, onde o visitante é convidado a deixar seus anseios e expectativas na construção do futuro do Museu e, por extensão, da própria cidade.

SETOR 1 — SOTERRAMENTOS, SETOR 2 — PERSISTÊNCIAS, SETOR 3 — CIDADE COMO OBA COLETIVA, SETOR 4 — CIDADE VIVIDA
CORTE LONGITUDINAL
CORTE TRANSVERSAL
EXPOSITOR 1
EXPOSITOR 2
EXPOSITOR 3